O programa



Por Dieik Portela Freitas


COLETA SELETIVA
NO CONDOMÍNIO SANTA MARTA


A coleta seletiva e a reciclagem de lixo têm um papel muito importante para o meio ambiente. Por meio delas, recuperam-se matérias-primas que de outro modo seriam tiradas da natureza. A ameaça de exaustão dos recursos naturais não-renováveis aumenta a necessidade de reaproveitamento dos materiais recicláveis, que são separados na coleta seletiva de lixo. Esta publicação tem como finalidade indicar os principais passos para a implantação de um sistema de coleta, de forma simples e objetiva em nosso condomínio.

ALGUNS CONCEITOS

O QUE É COLETA SELETIVA?

É um sistema de recolhimento de materiais recicláveis: papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, previamente separados na fonte geradora (nossos apartamentos) e que podem ser reutilizados ou reciclados. A coleta seletiva funciona, também, como um processo de educação ambiental na medida em que sensibiliza a comunidade (condôminos, visitantes e funcionários) sobre os problemas do desperdício de recursos naturais e da poluição causada pelo lixo.

 O QUE É A RECICLAGEM?

 É o processo de transformação de um material, cuja primeira utilidade terminou, em outro produto. Por exemplo: transformar o plástico da garrafa PET(garrafas de plástico, de refrigerantes) em cerdas de vassoura ou fibras para moletom. A reciclagem gera economia de matérias-primas, água e energia, é menos poluente e alivia os aterros sanitários, cuja vida útil é aumentada, poupando espaços preciosos da cidade que poderiam ser usados para outros fins como parques, casas, hospitais, etc.


 RECICLÁVEL É DIFERENTE DE RECICLADO.

Reciclável indica que o material pode ser transformado em outro novo material. Reciclado indica que o material já foi transformado. Algumas vezes, o material que foi reciclado pode sofrer o processo de reciclagem novamente. Certos materiais, embora recicláveis, não são aproveitados devido ao custo do processo ou à falta de mercado para o produto resultante.

RECICLAR É DIFERENTE DE SEPARAR.

Reciclar consiste em transformar materiais já usados em outros novos, por meio de processo industrial ou artesanal. Separar é deixar fora do lixo tudo que pode ser reaproveitado ou reciclado. A separação ou triagem do lixo pode ser E DEVE SER feita em casa. É importante lembrar que a separação dos materiais de nada adianta se eles não forem coletados separadamente e encaminhados para a reciclagem.




COMO COLABORAR?
Praticando os 3Rs
REDUZIR

Evitar a produção de resíduos, com a revisão de seus hábitos de consumo.
Ex: preferir os produtos que tenham refil.

REUTILIZAR

Reaproveitar o material em outra função.
Ex: usar os potes de vidro com tampa para guardar miudezas (botões, pregos, etc.).

RECICLAR

Transformar materiais já usados, por meio de processo artesanal ou industrial, em novos produtos.
 Ex: transformar embalagens PET(garrafas de plástico, de refrigerantes) em tecido de moletom.

Todos (moradores, visitantes e funcionários) podemos e devemos participar do programa de coleta seletiva. Cada um fazendo sua parte e se beneficiando dos resultados. Exemplo disso é a parceria entre o nosso Condomínio e as cooperativas ou associações que receberão os materiais selecionados e que muitas vezes podem se encarregar da retirada dos mesmos.


Vantagens da coleta seletiva
·        Contribui para a melhoria do meio ambiente, e do nosso condomínio na medida em que:
·        Diminui a exploração de recursos naturais;
·        Reduz o consumo de energia;
·        Diminui a poluição do solo, da água e do ar;
·        Prolonga a vida útil dos aterros sanitários;
·        Possibilita a reciclagem de materiais que iriam para o lixo;
·        Diminui os custos da produção, com o aproveitamento de recicláveis pelas indústrias;
·        Diminui o desperdício;
·        Diminui os gastos com a limpeza do Condomínio;
·        Cria oportunidade de fortalecer organizações comunitárias;
·        Gera emprego e renda pela comercialização dos recicláveis;
·        Valoriza a imagem do Condomínio e consequentemente, nossos apartamentos;


Um programa de coleta seletiva não é tarefa difícil de se realizar, porém é trabalhosa, exige dedicação e empenho. Engloba três etapas: PLANEJAMENTO, IMPLANTAÇÃO e MANUTENÇÃO, todas com muitos detalhes importantes. O primeiro passo para a realização do programa é verificar a existência de pessoas interessadas em fazer esse trabalho. Uma pessoa sozinha não conseguiria arcar com tudo por muito tempo, e uma das principais razões para o sucesso de programas desse tipo é o envolvimento das pessoas. Identificados alguns interessados, o próximo movimento é reuni-los em um grupo, que será o responsável pelas três etapas. É importante, desde o início e durante o processo, informar aos moradores e funcionários do condomínio sobre os passos que serão dados e sempre convidá-los para participar, utilizando-se das formas costumeiras de organização e comunicação do Santa Marta (reuniões de condôminos).

P R I M E I R A  E T A P A: P L A N E J A M E N T O

1.                Conhecendo um pouco o lixo do local

·        Número de participantes (possíveis visitantes, moradores, funcionários);
·        Quantidade diária do lixo gerado (pode ser em peso ou número de sacos de lixo);
·        De quais tipos de resíduos o lixo é composto e porcentagens de cada um (papel, alumínio, plástico, vidro, orgânicos, infectante, etc.);
·        O caminho do lixo: desde onde é gerado até onde é acumulado para a coleta municipal;
·        Identificar se alguns materiais já são coletados separadamente e, em caso positivo, para onde são encaminhados.

2.                Conhecendo as características do local

·            Instalações físicas (local para armazenagem, locais intermediários);
·        Recursos materiais existentes (tambores, latões e outros que possam ser reutilizados);
·        Quem faz a limpeza e a coleta normal do lixo (quantas pessoas);
·        Rotina da limpeza: como é feita a limpeza e a coleta (frequência, horários).

3.                Conhecendo um pouco o mercado dos recicláveis

·        Doação: uma opção para quem vai implantar a coleta seletiva é encaminhar os materiais para associações ou cooperativas que, por sua vez, vendem ou reaproveitam esse material. Se for esta a opção, é bom ter uma lista desses interessados à mão. No site da SEMAR-PI (anexos) existe uma lista com algumas entidades. Esta lista poderá ser complementada por meio de pesquisa de moradores ou funcionários interessados, pois há muitas entidades beneficentes que aceitam materiais recicláveis e outras que compram, dependendo da quantidade.
·        Venda: preços e compradores podem ser consultados também no site da SEMAR-PI e em listas telefônicas (sucatas, papel, aparas, etc.).

4.                 Montando a parte operacional do projeto

Com todos os dados obtidos até esse ponto (as quantidades geradas de lixo por tipo de material, as possibilidades de estocagem no local, os recursos humanos existentes, etc.), está na hora de começar a planejar como será todo o esquema.
Agora deve-se decidir:
·        Se a coleta será de todos os materiais ou só dos mais fáceis de serem comercializados;
·        Se a armazenagem dos recicláveis será em um lugar só ou com pontos intermediários; quem fará a coleta;
·        Onde será estocado o material;
·        Para quem será doado e/ou vendido o material;
·        Como será o caminho dos recicláveis, desde o local onde é gerado até o local da estocagem;
·        Como será o recolhimento dos materiais, inclusive frequência.

5.                Educação ambiental

Esta parte é fundamental para o programa dar certo: integra todas as atividades de informação, sensibilização e mobilização de todos os envolvidos.
·        O primeiro passo consiste em listar os diferentes segmentos envolvidos, moradores (jovens, crianças, adultos), funcionários da limpeza do condomínio e responsáveis pela limpeza dos apartamentos.
·        O segundo passo é pensar que tipo de informação cada segmento deve receber.
·        O terceiro passo é: pensando em cada segmento e nas informações que se quer passar, PLANEJAR quais atividades propor para cada segmento, visando atingir com mais sucesso o objetivo. Entre as atividades usadas, sugere-se: cartazes, palestras, folhetos, reuniões, gincanas, festas, etc. Realizar uma variedade grande de atividades sempre é melhor, pois atinge mais pessoas.

S E G U N D A  E T A P A: I M P L A N T A Ç Ã O

6.                Preparação: etapa crucial, que contribui muito para o sucesso do programa

Uma vez desencadeado o processo, ajustes sempre serão necessários, mas é importante manter seu controle. Divisão dos trabalhos: para garantir a realização das várias tarefas e contatos planejados – é a estratégia mais eficiente. O grupo responsável, ou um grupo ampliado para essa fase, deverá tomar as providências acertadas:
·            Compras, se necessário;
·            Confecção de placas sinalizadoras, cartazes, etc.;
·            Instalação dos equipamentos;
·            Treinamento dos funcionários responsáveis pela coleta;
·            Elaboração de folhetos informativos (horários, frequências, etc.).
Acertos finais: normalmente com uma ou duas reuniões se resolve o que está pendente e pode-se, finalmente, partir para a inauguração.

T E R C E I R A  E T A P A: M A N U T E N Ç Ã O

7.                Acompanhamento

Acompanhamento e gerenciamento da coleta, do armazenamento, venda e ou doação dos materiais.

8.               Inauguração do programa

Deve ser um evento bem divulgado e ter sempre uma característica alegre, criativa, de festa, mas no qual as informações principais também possam ser passadas. Pode ser uma exposição, uma palestra. Faça desta data algo marcante.

9.               Levantamento

Levantamento das quantidades coletadas e receita gerada (caso o material tenha sido vendido), até setorizado por tipo de material se possível.
    
10.           Atividades contínuas de informação e sensibilização

Retomar os objetivos e divulgar notas em jornais/boletins (internos), palestras, reuniões, gincanas, cartazes, são estratégias que incentivam.

11.            Balanço

       Balanço de andamento e resultados do programa. É fundamental que sejam divulgados.


ANEXOS

O QUE FAZER COM P ILHAS E BATERIAS?


Devem ser devolvidas aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada pelas respectivas indústrias dos seguintes materiais:
·        Baterias de celular;
·        Baterias automotivas;
·        Baterias industriais;
·        As pilhas que não atenderem os limites da resolução.
·        As pilhas de uso comum, como as vendidas em supermercados – alcalinas comuns e as de tipo
·        Botão usadas em relógios, calculadoras ou marca-passos – devem ser descartadas no lixo comum,
·        Objeto de coleta pública.
* Resolução CONAMA n º 257, de 22 / 07 / 99, complementada pela de n º 263 , de 12 / 11 / 99 .

M A T E R I A L
E C O N O M I A

Recurso Natural
Matéria-Prima
Papel
Floresta / Árvore
Renovável

Madeira

Metal
Bauxita+Siderita
Peperita
Magnetita+Ferro
Carbono+Cupirita
Não-Renováveis

Alumínio
Ferro
Aço
Cobre

Plástico
Petróleo
Não-Renovável

Nafta

Vidro
Areia
Não-Renovável
Sílica,
barrílica,
feldspato,
calcário





















Reciclagem & Economia
O QUE É E O QUE NÃO É RECICLÁVEL

Quantidade
Reciclável
Não-Reciclável
1 tonelada de papel reciclado evita
o corte de 15 a 20 árvores, economiza 50% de energia elétrica
e 10 mil m³ de água.

jornais e revistas
folhas de caderno
formulários de     computador
caixas em geral
aparas de papel
fotocópias
envelopes
rascunhos
cartazes velhos
papel de fax

etiquetas adesivas
papel carbono e celofane
fita crepe
papéis sanitários
papéis metalizados
papéis parafinados
papéis plastificados
guardanapos
bitucas de cigarro
fotografias


1 tonelada de alumínio reciclado
evita a extração de 5 toneladas de minério. 100 toneladas de aço reciclado poupam 27 kWh de energia elétrica e 5 árvores usadas como carvão no processamento de minério de ferro.

folha-de-flandres
tampinha de garrafa
latas de óleo, leite em pó e conservas
latas de refrigerante, cerveja e suco
alumínio
embalagens metálicas de congelados

clips
grampos
esponjas de aço
tachinhas
pregos
canos

100 toneladas de plástico reciclado evitam a extração de 1 tonelada de
petróleo.

canos e tubos
sacos
CDs
disquetes
embalagens de margarina e produtos de
limpeza
embalagens PET: refrigerante, suco e óleo de cozinha
plásticos em geral

cabos de panela
tomadas
1 tonelada de vidro reciclado evita a
extração de 1,3 tonelada de areia.
 recipientes em geral
 garrafas
 copos
espelhos
 vidros planos e cristais
 cerâmicas e porcelanas
 tubos de TVs e computadores

TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO, DEPENDENTE DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS:

 Chiclete _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _5 anos
 Lata de aço _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _  10 anos
 Vidro _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ mais de 10.000 anos
 Plástico _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _mais de 100 anos
 Madeira _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 6 meses
 Papel _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 3 meses a vários anos
 Cigarro (filtro) _ _ _ _ _ _ _ _ 3 meses a vários anos
 Lata de alumínio _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ mais de 1.000 anos
 Restos orgânicos _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 2 a 12 meses

links

http://www.semar.pi.gov.br/reciclado.php
www.abal.org.br
www.abiquim.org.br/plastivida
www.abividro.org.br
www.bsi.com.br/unilivre/centro/experiencias/026.html
www.caritas.org.br/reciclagem.htm
www.cecae.usp.br/recicla
www.cempre.org.br
www.conesul.com.br/~selector
www.gaia.ong.com.br
www.geocities.com/Yosemite/Gorge/7224
www.highnet.copm.br/casareciclagem
www.jgpress.com/biocycle.htm
www.labsolda.ufsc.br/~caroline/reciclar.html
www.latasa.com.br
www.lixo.com.br
www.neoambiental.com.br
www.nossosite.oespdin.com.br/gh/
www.obvously.com/recycle
www.padronecology.com.br
www.polis.org.br


bibliografia


DIAS, Reinaldo. Gestão Ambiental
Höewell, Indian M. (1998). CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem – Viva o Meio Ambiente com Arte na Era da Reciclagem. 3 ed. Florianópolis, agosto.
Fuzaro, João Antonio e Wolmer, Fernando Antonio (2001). CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – Compêndio sobre tratamento e disposição de resíduos sólidos. São Paulo. Secretaria de Estado do Meio Ambiente (2001). GuiaPedagógico do Lixo. 2 ed. São Paulo.

ficha técnica
Adaptação Dieik Portela Freitas
CONTEÚDO DIVULGADO PELA PREFEITURA DE SÃO PAULO:

Redação Maria do Rosário Fonseca Coelho
Colaboração Vera Maria Civitate Casarini
Consultoria João Antonio Fuzaro
Revisão Sandra N. S. Almeida


Nenhum comentário:

Postar um comentário